sex. ago 12th, 2022

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Crítica – Belfast

Belfast é o novo filme do aclamado diretor Kenneth Branagh que tem sido um dos queridinhos na temporada de premiações. Rodado praticamente todo em preto e branco, ele conta a história da família de Buddy, um garoto que vive em uma região de Belfast que era pacífica, mas que nos final dos anos 60 vê o surgimento de um conflito entre católicos e protestantes. Como pano de fundo desse momento histórico, o Cinema e o olhar de uma criança.

Belfast tem basicamente dois focos: o macro, mostrando as tensões provenientes dessa disputa religiosa; e o micro, focado na família de Buddy, nas discussões de seus pais, na influência da prima mais velha e nas lições de sabedoria de seus avós. Em alguns momentos, em razão desse olhar infantil sobre algo maior, lembra “A vida é bela” e o recente “Jojo Rabbit”, mas sem o verniz dessas duas obras. O pai de Buddy se ausenta durante dias seguidos para trabalhar, e nunca fica bem claro se ele realmente tem um emprego ou se está envolvido em outras atividades. Os avós de Buddy foram uma espécie de porto seguro para ele, em meio aos conflitos familiares e políticos.

São poucas cenas coloridas, sempre em momentos emblemáticos. O preto e branco não chega a incomodar, mas também não atinge o impacto pretendido. Por vezes, a história parece meio lugar comum, genérica. Jude Hill, que interpreta o menino Buddy, dá um show de carisma. Seus pais, Ma e Pa, vividos por Caitriona Balfe e Jamie Dorman têm uma atuação apenas eficiente ao mostrar as desavenças de um casal com objetivos de vida diversos: enquanto o pai é um sonhador e quer ir embora de Belfast, fugir dos conflitos e talvez dar uma vida melhor para os filhos, a mãe prefere permanecer onde estão as suas raízes, a sua gente, ainda que isso signifique algum risco para eles e para as crianças. Judi Dench e Ciarán Hinds dão vida aos avós de Buddy, e provavelmente nos oferecem as melhores atuações da película, trazendo aquele casal de idosos queridos e adoráveis.

Belfast é um bom filme, correto, mas nada espetacular e talvez um pouco pretensioso. É uma narrativa simplificada de algo tão importante. A fotografia se sobressai ao roteiro, que não brilha, o que surpreende, por se tratar de um filme de Kenneth Branagh. Em uma temporada que temos obras mais marcantes, não me parece sustentar algum favoritismo ao Oscar. É diferente, sem ser especial.

Nota: 7,0

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