dom. nov 28th, 2021

Nerd Fusão

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Crítica – Eternos (com spoilers)

Depois da espera que durou uma eternidade (desculpa), finalmente chegou ao cinema o aguardado filme dos “Eternos”. Com a promessa de ser o primeiro épico da Marvel, ele tem dividido opiniões desde as primeiras exibições, o que é perfeitamente compreensível, pois ele destoa um pouco da chamada “Fórmula Marvel”, que tem feito sucesso há mais de doze anos, e talvez esteja perdendo o fôlego, mas justamente por ser diferentão, tenha causado espécie no público.

“Eternos” nos apresenta um grupo de dez seres que foram enviados para a Terra há cerca de 7.000 anos, para, em tese, proteger o planeta de ameaças externas. Ou seja: eles não deveriam interferir em conflitos internos, e essa é a razão pela qual eles não intercederam quando o Thanos deu um sumiço em metade dos seres vivos com um estalar de dedos. Ok. Inclusive eles mesmos dizem que os próprios seres humanos foram capazes de resolver a situação. Tá bom, eu aceito essa desculpa.

De início, esclareço que não li os quadrinhos, então tudo que eu disser aqui é com base do que eu vi no filme. Os eternos foram criados pelos Celestiais, no início de tudo, para combater os Deviantes, que seriam os seres do mal, as ameaças que assombram os planetas do Universo. Cada um deles tem um poder especial: força, velocidade, manipulação da mente, poder de autocura, voar, ser um bom guerreiro, etc. Eles estiveram presentes em diversos momentos importantes da existência, lá no primórdios da humanidade, passando pela Mesopotâmia, pela Babilônia, por Hiroshima, dentre outros. Nos dias atuais, eles estão separados, cada um vivendo a sua vida entre os humanos, mas o retorno dos Deviantes é percebido e eles precisam se reunir para salvar a Terra e a raça humana.

Como temos muitos personagens, fica um pouco difícil descrever cada um deles, pois alguns não tiveram muito tempo de tela. Apesar disso, gostei da apresentação deles e ao final eu estava me importando e me preocupando com todos, sinal de que a construção foi eficiente. Obviamente, os protagonistas são a Sersi, papel de Gemma Chan, que entre outras habilidades pode fazer manipulação genética, e o Ikaris (Richard Madden), que é tipo o Superman da Marvel, e os dois viveram um relacionamento amoroso por uns cinco mil anos, e a Ajak (Salma Hayek), que é a chefe do grupo e a única que consegue se comunicar com Arishem, o “chefe” dos Celestiais. Além deles, temos Thena, que é a guerreira interpretada por Angelina Jolie, e que viveu um romance com Kro, um Deviante; Kingo, vivido por Kumail Nanjiani, o grande alívio cômico do grupo; Makkari, interpretada por Lauren Ridloff, uma atriz surda-muda, cuja principal habilidade é a velocidade; Brian Tyree Henry é Phastos, que é uma espécie de inventor e engenheiro, e que na trama é casado com Ben e tem um filho; Sprite é interpretada por Lia Mchugh, que é imortal e mantém aparência de criança; Gilgamesh, o mais forte dos Eternos, é vivido por Don Lee; Barry Keoghan dá vida a Druig, cujo principal poder é a manipulação. Ainda vimos, mesmo que brevemente, Dave Whitman, o Cavaleiro Negro, vivido por Kit Harington, e que faz parte de um triângulo amoroso com Sersi e Ikaris.

“Eternos” tem muita coisa que os outros filmes da Marvel não têm. Tem cena de sexo (ainda que estilo novela das sete), tem casal LGBTQIA+, tem pôr-do-sol de verdade (vários), tem muitos personagens “cinza” (que você fica na dúvida se são mocinhos ou bandidos – isso dentro do próprio grupo dos Eternos). E tem morte de heróis. Mais de uma, inclusive. O ritmo é mais lento do que o de costume, e tem mais explicações também, até porque estamos sendo apresentados a um grupo de dez pessoas com as quais nunca tivemos contatos nas telonas antes. Tem menos piadas e menos cenas de ação, e muito desenvolvimento de relações interpessoais. Tem referências aos filmes anteriores, mas funciona bem sozinho. É original, e talvez por isso tenha causado estranhamento. Mas é muito, muito bonito, grandioso, épico, como já foi dito. Com certeza é o filme mais contemplativo da Marvel, graças a assinatura da diretora Chloé Zhao, que deu um tom todo especial ao filme, principalmente pela utilização de mais cenários reais e menos tela verde. Não é uma obra que agradará a todos, mas tem muito coração, muito sentimento envolvido, muita alma.

Nota: 9,0

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