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CRÍTICA – O ESQUADRÃO SUICIDA (com spoilers)

Há cinco anos estreava nos cinemas “Esquadrão Suicida”, um filme de equipe que, depois de trailers incríveis, deixou todo mundo com o hype lá em cima e infelizmente não correspondeu nas telonas. Parecendo uma colcha de retalhos feita por várias pessoas diferentes, a obra foi vítima das divergências entre o Diretor, David Ayer, e os Executivos da Warner. Entre mortos e feridos, salvou-se apenas a Arlequina, que ganhou seu filme “solo” anos depois, e alguns outros personagens.

Após a demissão de James Gunn pela Marvel (e sua recontratação para fazer Guardiões da Galáxia 3), ele foi contratado pela Warner/DC para fazer um reboot, continuação, ou seja lá o quê de Esquadrão Suicida. Alguns personagens foram mantidos, como a já mencionada Arlequina, A Amanda Waller de Viola Davis, o Nick Flag de Joel Kinnaman e o Capitão Bumerangue. Somaram-se a eles vários outros “amigos de James Gunn”, como Michael Rooker e Sean Gunn (de GoG), e atores de peso como John Cena, Sylvester Stallone e Idris Elba, este último assumindo um dos papeis principais. O resultado foi uma obra completamente insana e uma trama muito melhor resolvida que a do primeiro Esquadrão.

A história começa com o envio de duas equipes para uma missão, com uma dela meio que funcionando como “boi de piranha”. No plano de fundo, temos o Sanguinário, personagem de Idris Elba (bastante semelhante ao Pistoleiro de Will Smith na primeira versão do grupo), sendo convencido (ou chantageado) por Amanda Waller para aceitar a tarefa, em troca da segurança de sua filha. Paralelamente, um dos escalados para cumprir a missão com ele é o Pacificador (personagem de John Cena que ganhará uma série própria), com quem ele cria uma certa rivalidade por terem habilidades semelhantes. Ainda na equipe principal temos a nossa conhecida Arlequina, sempre brilhantemente vivida por Margot Robbie, o Bolinha de David Dastmalchian (de Homem Formiga), o maravilhoso Nanaue, o Tubarão Rei interpretado pelo Stallone, e a Caça-Rato, vivida por Jennifer Holland que foi uma grata surpresa! Pois bem, o objetivo do grupo é invadir o fictício país da América do Sul chamado Corto Maltese, e acabar com um experimento científico ultrassecreto. Paralelamente, há uma tensão política no lugar com disputa de poder, grupo de rebeldes formando a resistência e tudo mais. Apesar da quantidade absurda de personagens e várias linhas da trama, a história é bem resolvida ao longo das mais de duas horas de rodagem.

Tecnicamente, é uma obra de encher os olhos: a primeira cena, com Michael Rooker interpretando o Sábio, tem muitas cores quentes, câmera girando e final surpreendente. E o filme inteiro é assim: uma fotografia sensacional, paleta de cores vibrantes, a estética dos quadrinhos, enfim, um trabalho excelente de filmagem, e nenhuma cena sobrando. Essa é a diferença de se ter um ótimo diretor como James Gunn. A atuações são um espetáculo a parte, todos fazem um trabalho soberbo, até o John Cena é convincente. Só não dá pra se apegar a nenhum personagem, pois O Esquadrão Suicida é praticamente um Game of Thrones da galhofa: quase todo mundo vai morrer.

No final das contas, esse resgate da equipe de O Esquadrão Suicida com suas adições e mudanças teve um saldo muito positivo. Aliás, vale ressaltar que não é apenas um filme de zoeira: James Gunn traz todo um subtexto de crítica ao imperialismo norte-americano (ou estadunidense, como se tem dito atualmente), à mentalidade belicosa e ao intervencionismo em outras nações. Há também todo um simbolismo ao trazer os pássaros em diversos momentos, bem como a recorrente menção às crianças (algumas dessas questões eu ainda não desvendei e terei de rever o filme para entender). São duas cenas pós créditos, uma bem no início e outra lá no final. Ainda não sabemos se teremos uma continuação, mas pelo que tenho visto das críticas, acredito que um “O Esquadrão Suicida 2” seria muito bem-vindo. Acho difícil comparar com os demais filmes da DC, dada a diversidade de tons: não consigo dizer se é melhor que Batman: O Cavaleiro das Trevas ou Coringa, por exemplo. Mas com certeza é o melhor filme de equipe já produzido neste universo cinematográfico.

Nota: 9,0

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