sex. ago 12th, 2022

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Crítica – O Homem do Norte

Depois de ser adiado por cerca de um mês, finalmente chega nesta quinta-feira aos cinemas um dos filmes mais aguardados do ano, “O Homem do Norte”, nova obra do Diretor Robert Eggers, um dos nomes que despontaram como responsáveis pelo novo terror, juntamente com Jordan Peele, Darren Aronofsky, Ari Aster e, porque não, o fantástico John Krasinski.

Porém, em “Homem do Norte”, Eggers traz uma história que se enquadra melhor como um épico nórdico, com um quê de fantasia e dois dedinhos (e algumas cabeças) de gore. A trama não é exatamente original: traz a típica jornada do herói que buscar por vingança. Mas a assinatura do diretor dá um contorno próprio, uma visão única que salta aos olhos e encanta.

“O Homem do Norte” conta a história de Amleth, filho do rei Aurvandil, que quando criança viu seu pai ser assassinado pelo próprio irmão, foge e promete voltar para vingar a morte do pai e salvar a mãe. Nesse tempo, ele se desenvolve como um bárbaro, quase selvagem, até retornar para fazer justiça com as próprias mãos. O conteúdo é conhecido, mas a forma como ele é desenvolvido faz toda a diferença.

Um detalhe importante que descobri apenas quando fui estudar para escrever a crítica é que o personagem Amleth serviu de inspiração para que Shakespeare escrevesse Hamlet, e de fato a história guarda certas semelhanças com a lenda nórdica. Como já referi antes, “O Homem do Norte” não é exatamente um terror, mas é uma obra intensa e instigante, além de transitar pela fantasia e referir temas interessantes, como a prática de esportes no século XIX e o papel da mulher naquela sociedade antiga.

Apesar do ar cult do filme, ele conta com elenco de estrelas: Willem Dafoe, que já havia trabalhado com Eggers em “O Farol”, retorna para uma participação. Ethan Hawke, que faz o papel do rei Aurvandil, e Nicole Kidman, como a Rainha Gudrún, entregam excelentes interpretações. Quem também está de volta a uma obra do Eggers é a sempre excelente Anya Taylor-Joy, dando vida à exótica Olga. Mas quem realmente brilha é o sueco Alexander Skarsgard, que passa por uma verdadeira transformação para viver Amleth, em uma intensidade avassaladora.

Como é de praxe em obras que abordam a mitologia nórdica, a fotografia enche os olhos com tantas paisagens belas, mas também impressiona nas cenas violentas, que são incrivelmente hostis e brutais. A fotografia traz sempre aquele senso de urgência e tensão. A divisão por capítulos mais atrapalha do que ajuda, mas não chega a prejudicar o andamento da história. São mais de duas horas de rodagem em que ficamos com os olhos vidrados na tela aguardando os próximos acontecimentos, e essa ansiedade gerada é mérito da ótima direção de Robert Eggers.

Acredito que “O Homem do Norte” não seja um filme que agrade a todos, tanto pela brutalidade extrema e violência gráfica quanto pelos elementos de fantasia, mas é uma história muito bem contada e com imagens impressionantes. Robert Eggers se firma como um grande diretor da nova geração, não só no gênero de terror, mas como um profissional com olhar e assinatura próprios, que tem muito a oferecer em seus trabalhos. Já estou no aguardo do próximo.

Nota: 9,5

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