sex. set 18th, 2020

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CRÍTICA | RAMBO: ATÉ O FIM

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Antes de começar, quero fazer uma observação que é bastante pertinente. Todas as críticas até o momento parecem bastante previsíveis, lembrando que vivemos um momento de guerras de narrativas políticas, politização extrema no que deve ser considerado ARTE, com isso, previsivelmente, os veículos com viés de esquerda estão classificando o filme como ruim, asqueroso, reacionário ou extremista e os veículos neutros ou de direita, elogiando o filme. Recentemente li a crítica da Folha de São Paulo, onde o redator chega a inclusive sustentar a sua crítica zombando o visual do ator Sylvester Stallone, dada a idade do ator(73) e suas cirurgias plásticas.

Dado o cenário que se sobrepoe a arte, vamos ao filme.

O filme retrata John Rambo de volta ao seu país, vivendo pacificamente criando cavalos com a sua família adotiva na fronteira com o México, mas, demonstrando que ainda é o homem marcado pelos fantasmas da guerra. Rambo está em casa, mas as feridas estão lá, as cicatrizes, os traumas, o pânico pós guerra, a fúria, tudo latente no íntimo do personagem e que certamente virá a tona se algo acontecer a sua família.

No início, o filme investe na construção desta relação do Rambo com a sua nova realidade e sua família, de forma que venha a justificar os atos a seguir.

Tudo parecia tranquilo até a sobrinha/filha adotiva querer ir até o México encontrar o verdadeiro pai, e mesmo com as advertências de Rambo, ela vai. Após ser drogada numa balada, ela é vendida como escrava sexual por um cartel de *BANDIDOS MEXICANOS.

*Em algumas críticas, alguns veículos chegaram a condenar o filme como se Stallone estivesse chamando TODOS os mexicanos de bandidos.

Rambo vai atrás da garota, é brutalmente espancado e começa uma jornada intensa de vingança, violência extrema e crueldade. Nenhum vilão será perdoado, Rambo coloca pra fora todo o seu senso do que acredita ser justiça, trucidando todos que cruzam o seu caminho sem piedade, com cenas de morte explícita que mostram de forma visceral todos os demônios que o personagem carrega, refletindo em membros decepados, visceras arrancadas, armadilhas brutais e muito sangue fazendo o filme ser classificado para maiores com louvor.

A fotografia do filme é quase sépia, um pouco suja, tornando a atmosfera ainda mais desconfortável, algo parecido com o filme Logan.

Rambo: Até o fim é um filme sobre perdas, é um filme onde a mente do personagem é explorada, podemos perceber que todos estes anos deixaram John Rambo destruído e ele ainda acredita que é o ex combatente desajustado acusado de ser “matador de bebês” como é retratado magistralmente no primeiro filme.

Os filmes da franquia sempre estiveram inseridos nos contextos geopolíticos de acordo com a realidade de cada projeção, como a Guerra do Vietnã no primeiro filme, as consequências no segundo, a luta para defender o Afeganistão contra a exinta União Soviética no terceiro filme e as crueldades de Miamar no quarto filme.

Agora a realidade é outra, tudo está sensível, as relações, as opiniões, os posicionamentos, estamos em um cenário onde existe polarização política, temos as medidas extremas de Donald Trump para evitar a migração de mexicanos para os Estados Unidos e talvez este palco não seja muito apropriado para o filme, mas, é nele que tudo acontece, assim como aconteceu todos os anteriores em seus cenários.

Esqueça a política, o foco está muito claro, não é matar mexicanos, não é matar comunistas, é um filme sobre vingança com as próprias mãos e para dar um fim a franquia sem mostrar certo ou errado, apenas consequências e que a vida continua não sendo justa.

Se você gostou dos filmes anteriores, com certeza não irá se decepcionar, se o seu desejo é ver John Rambo mostrando todas as suas habilidados, o filme vai lhe entregar a experiência da forma mais brutal possível.

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