qui. nov 26th, 2020

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CRÍTICA – TENET (com spoilers)

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Tenet é o grande lançamento a reabertura das salas de cinema no país, que estavam fechadas desde março por conta da pandemia. Após diversos adiamentos, a nova obra do diretor Christopher Nolan começou a ser exibida, e agora podemos ter acesso a esse filme envolto em mistério desde que foi anunciado, pois os trailers não entregavam praticamente nada sobre a trama (o que é ótimo).

Antes de assistir a Tenet, eu revisitei toda a filmografia de Nolan, desde Following, passando pela trilogia do Batman, até Dunkirk. Havia especulações de que Tenet talvez fizesse parte do mesmo universo de Inception, o que acabou não se confirmando. Mas Tenet, de fato, reúne todos os elementos que costumamos ver nas obras do diretor a sua assinatura, e que, quer você goste ou não, é um estilo interessante.

A trama em si é simples: Tenet é um filme de espionagem protagonizado por um personagem com ares de James Bond. É um “007 sem 007”, por assim dizer: tem o espião, o vilão russo, a mulher bonita, a tecnologia a ser recuperada, a iminência de uma guerra, cenários paradisíacos e o encontro prévio “amistoso” com o antagonista. Tenet nos conta a história de um agente da CIA que é recrutado para recuperar um artefato e impedir o fim do mundo. Simples assim. Ou nem tão simples, já que trabalha com uma técnica avançada de inversão: a inversão é, o que podemos dizer, uma evolução de viagem no tempo, é uma forma de “retrocesso”, que é acessada por meio de uma cabine. É complexo, mas como sempre, Nolan vai dar um jeito de explicar pra gente como funciona.

O grande trunfo do filme é, sem sombra de dúvidas, a parte técnica: as cenas em que tudo está invertido, e principalmente as cenas em que há acontecimentos de modo regular e de modo invertido ao mesmo tempo, são de dar um nó na cabeça até que consigamos compreender como funciona. Somado a isso, temos uma trilha sonora assinada por Ludwig Göransson (compositor da trilha de Pantera Negra), que serve para elevar a tensão, mas que alguns momentos soa um pouco over. A fotografia do filme é primorosa, e as cores vão auxiliar na compreensão de quando estamos na história: se é no momento regular ou no modo invertido.

Sobre os personagens: pouco ou quase nada sabemos sobre eles. Sabemos que Kat é chantageada pelo seu marido Sator (o vilão), mas o passado e a origem dos “mocinhos” é bastante nebulosa, tanto que o protagonista, vivido por John David Washington, não tem nome. Ele é chamado, simplesmente, de Protagonista, e a gente talvez nem perceba isso durante o filme. Quanto às atuações, estão excelentes. Aliás, via de regra, Nolan sempre faz ótimas escolhas de seus castings, e em Tenet isso não é diferente: John David Washington é um ator sensacional, cujo talento já havia despontado em “Infiltrado na Klan”. Robert Pattinson é o misterioso Neil, que funciona como uma espécie sidekicker do Protagonista, e é bom vê-lo interpretando uma pessoa “normal”, sem trejeitos ou comportamento estranho. Elisabeth Debicki é Kat, fazendo uma personagem parecida com a Jed que ela interpretou na série “The Night Manager”, e entrega uma excelente atuação que a credencia para estrelar outros filmes em Hollywood. Por fim, Kenneth Branagh dá vida ao vilão russo Sator, um pouco canastrão, acho que de propósito, mas um tanto divertido. Há uma participação especial de Michael Caine, quase um cameo obrigatório nas obras do Nolan (e que foi que levou muita gente a achar que Tenet tinha alguma ligação com Inception).

De uma forma geral, Tenet é um ótimo entretenimento. Não é o melhor filme do Nolan, mas certamente vai fazer sucesso junto aos fãs do diretor. Passei mais da metade das duas horas e meia de filme sorrindo por baixo da máscara porque estava satisfeita com o que eu estava vendo na telona. Nolan pode ser um diretor que não agrade a todos, mas a sua criatividade é inegável, e Tenet é mais uma obra que faz jus ao seu talento. E confesso que até gostaria de ver uma continuação, pois a dupla Protagonista e Neil teve uma química excelente e fiquei curiosa para saber mais sobre esses personagens. Tenet é um filme “nolaniano” em sua essência, e merece a nossa atenção.

Nota: 9,0

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