sex. ago 12th, 2022

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Crítica – Thor: Amor e Trovão (com spoilers)

Thor foi o único dos vingadores da formação original a ganhar um quarto filme, e a expectativa era grande desde o seu anúncio na SDCC de 2019. Depois da mudança de tom em Thor: Ragnarok e uma valorização da sua importância em Guerra Infinita e Ultimato, teríamos o retorno do Deus do Trovão, e também de sua amada Jane Foster, sob a direção de Taika Waititi. Desde o início especulou-se que haveria a adaptação do arco da Poderosa Thor dos quadrinhos, no qual a Jane está com câncer e tem o seu corpo enfraquecido cada vez que ela usa o Mjolnir, e posteriormente foi anunciado que o vilão seria Gorr, o Carniceiro dos Deuses, vilão de outro arco importante do Deus Nórdico.

De início, conhecemos Gorr e suas motivações, em uma cena um tanto sombria e dramática atuada com maestria por Christian Bale. Posteriormente, visualizamos como está o Thor pós Ultimato, depois de passar um tempo com os Guardiões da Galáxia, seus dilemas e a busca pelo seu propósito. E é aqui que a trama me lembra muito Homem de Ferro 3: naquele filme, conhecemos melhor a essência do Tony Stark, e aqui somos apresentados ao Thor “pessoa”, irmão, filho, amigo, homem. É uma trama centrada nele mesmo, ele é o protagonista. Paralelamente, temos notícias de Jane Foster e sua batalha contra o câncer. E foi quando o filme me “pegou”: quem já passou por essa situação sabe o quanto a percepção da gente em relação à vida muda. Ter consciência da nossa finitude, que o tempo está passando, e que temos que colocar todos os nossos planos e objetivos em stand by para lutar pela nossa sobrevivência. Foi bastante emocionante ver isso retratado em um filme de super-herói e me sentir representada. Gostei também da forma que Thor e Jane se reencontram, e tem uma cena explicando como ela se torna a poderosa Thor e porque o Mjolnir “escolheu” ela. E também achei a motivação do vilão bem digna, como é bom ver um ator do calibre do Christian Bale no MCU.

“Thor: Amor e Trovão” segue o humor de Ragnarok, porém de forma majorada e às vezes fora do tom, pois há momentos dramáticos em que a piadoca fica fora de contexto. Chris Hemsworth e Tessa Thompson, junto do próprio Taika, que interpreta o Korg, seguram bem a comédia, o que infelizmente não acontece com a Natalie Portman, porém nas cenas dramáticas é ela quem brilha, assim como o Christian Bale. É um filme mais contido do que “Multiverso da Loucura”, mas fechadinho, já que tem menos consequências aparentes para o MCU. O foco principal da trama não é necessariamente a luta contra o vilão, mas sim o relacionamento entre Thor e Jane, e essa busca do Thor por autoconhecimento. Se você está se perguntando se é uma comédia romântica, eu respondo que sim, e é bonitinho, ainda que esse gênero esteja longe de ser o meu favorito.

Tenho visto opiniões divididas entre os críticos, e realmente o estilo do Taika Waititi nunca foi unanimidade. Mas ele é fiel ao que se propõe e ao seu estilo: tem humor escrachado, piadas bizarras, um colorido psicodélico e uma trilha sonora vibrante. Sim, tem muito Guns n’ Roses na trilha e isso nunca será um problema. Não é cansativo, é leve e divertido, é bonito e deixa a gente com o coração quentinho. E muitas vezes é só isso que a gente precisa em uma sessão de cinema: duas horas de entretenimento, desligando-se dos problemas do mundo exterior.

Muito se tem falado sobre a Fase 4 da Marvel estar um tanto confusa até agora. São novos heróis chegando, tanto no cinema quanto nas séries, e ainda não está claro como tudo isso se conectará. Eu acho isso bem compreensível, principalmente depois de termos sido agraciados com Guerra Infinita e Ultimato, que encerraram uma mega saga que já durava mais de dez anos. Mas vale lembrar que nem todos os filmes das fases 1, 2 e 3 da Marvel foram excelentes, e só fomos compreender a importância de cada um quando a história foi completamente finalizada. Apenas a título de exemplo: recentemente revi os filmes do Thor e dos Vingadores, e ficou bastante evidente o valor de Thor: Mundo Sombrio e Vingadores: Era de Ultron para a saga do Infinito. É possível que somente daqui a alguns anos a gente compreenda cada um dos filmes. Obviamente, as obras têm de se sustentar sozinhas, mas o que quero dizer é que nem todo filme da Marvel será épico, nunca foi assim. Teremos filmes medianos, alguns ótimos e alguns excelentes. E acho válido que agora tenhamos no MCU obras que transitem por diversos gêneros: apenas recentemente tivemos Eternos, com aquela cara de filme independente e contemplativo; Multiverso da Loucura, um terror de respeito; e agora Thor: Amor e Trovão, uma comédia romântica honesta.

Voltando a “Thor: Amor e Trovão”: se você gostou de Thor: Ragnarok, você vai gostar desse filme. Se você gosta de comédia romântica, você também vai curtir. Como eu sempre digo, devemos analisar um filme pelo que ele é, e não pelo que gostaríamos que ele fosse. E como em tudo na vida, se a gente sempre criar altas expectativas, a chance de quebrarmos a cara é muito grande. E Thor: Amor e Trovão é como a vida da gente na maioria dos dias, é divertido, mediano, e sem grandes consequências, aparentemente. Exceto pelas cenas pós créditos, porque é ali que o bicho pega e hype vai nas alturas. Mas o final também é fofíssimo e faz a gente sair da sessão com um sorriso no rosto.

Nota: 8,5

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