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CRÍTICA – UM LINDO DIA NA VIZINHANÇA

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Alguns atores obrigatoriamente me “levam” ao cinema para vê-los, eu nem preciso saber do que se trata para querer assistir ao filme. Um desses atores é Tom Hanks, que além de um excelente ator, parece ser uma pessoa agradabilíssima, o que ficou ainda mais evidente com o discurso emocionado que ele fez quando foi homenageado na edição deste ano de O Globo de Ouro. Apesar de alternar filmes bons e outros não tão bons, na minha opinião, “Um lindo dia na vizinhança” parece se enquadrar na primeira categoria.

“Um lindo dia na vizinhança” é baseado em uma história real, que apresenta a amizade entre Fred Rogers, um conhecido apresentador de programas infantis dos anos 70, e Lloyd Vogel, um jornalista investigativo que tem como missão entrevistar Fred, já que ninguém mais aceita ser entrevistado por ele. Fred é adorado pelo seu público e se mostra uma pessoa que se preocupa com os outros também fora das câmeras, enquanto Lloyd guarda mágoas do seu pai por ter abandonado a sua mãe doente quando Lloyd e a irmã eram muitos jovens. Lloyd tem uma esposa e um filho pequeno, e não quer repetir o exemplo do pai. E Fred, mesmo sendo praticamente uma entidade, torna-se amigo de Lloyd e o ajuda com seus dramas familiares. É o nascimento de uma bela amizade e uma história emocionante.

Falar sobre a excelência de Tom Hanks no papel de Fred é chover no molhado. Vencedor de dois Oscar e indicado a outros três, em 2020, depois de 19 anos da última indicação (por Náufrago), Tom Hanks novamente estará concorrendo ao prêmio como melhor ator coadjuvante. A sua interpretação é carregada de sentimentos, eu me emocionei em todas as vezes que o vi em tela, e fui às lágrimas na cena em que ele está no metrô e as crianças começam a cantar uma das músicas de seu programa. A fotografia do filme tem aqueles tons meio pastel, que dão a impressão de que, de fato, a história se passa há muitos anos, trazendo também uma certa nostalgia. O filme é dirigido pela jovem Marielle Heller, que anteriormente fez “Poderia me perdoar?”, uma ótima obra dramática protagonizada por Melissa McCarthy, que também rendeu a Melissa uma indicação a Oscar. Em “Um lindo dia na vizinhança” Marielle novamente faz um ótimo trabalho e vale a pena ficar de olho nos próximos.

“Um lindo dia na vizinhança” tem um ritmo lento e parece até um filme de sessão da tarde, mas não é chato e tampouco insignificante. É uma obra focada nos personagens, em seus arcos e na sua evolução, principalmente de Lloyd, que tem que lidar com seus dramas pessoais. Eu me conectei bastante com a trama e achei a história linda, mas acredito que a forma como a história se desenvolve não agrade a todo mundo. Porém, ressalto que sempre devemos prestigiar os trabalhos de grandes atores, como é o caso do querido Tom Hanks. Deem uma chance a essa história e assistam o filme no cinema, e se permitam voltar à infância e se emocionar com o programa de Fred Rogers.

Nota: 9,5

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