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RESENHA – BOHEMIAN RHAPSODY

“Bohemian Rapsody”, filme homônimo de uma das canções mais conhecidas do Queen, foi cercado de...

“Bohemian Rapsody”, filme homônimo de uma das canções mais conhecidas do Queen, foi cercado de polêmicas desde o seu anúncio. Inicialmente, o mais cotado para interpretar Freddie Mercury era Sacha Baron Cohen, mas o papel acabou ficando com Rami Malek. Outro problema foi a saída do diretor Bryan Singer durante a produção do filme. Apesar dos altos e baixos, e alguns probleminhas de cronologia, a obra que foi entregue ao público é espetacular.

A trama começa mostrando a história de Freddie Mercury, suas origens, sua família paquistanesa, e como ele conheceu Brian May e Roger Taylor, fundadores da banda. Também conhecemos Mary, o grande amor da vida de Freddie e uma de suas maiores incentivadoras, o advogado, o empresário da banda, o produtor, e como funcionava a indústria fonográfica da época. Freddie sempre foi uma figura peculiar, diferente, especial. Até a metade do segundo ato ele é o tipo de pessoa que desperta alguns sentimentos bastante controversos, ao ponto de eu até ficar com raiva dele, mas no final ele se redime.

O filme mostra alguns dos principais momentos do Queen, mas ele gira em torno da história pessoal de Freddie. Ele recria as fases do grupo: o início de carreira, a primeira turnê, a primeira música a estourar nas paradas de sucesso, a composição das principais canções. Mas não é só isso: vemos também os conflitos entre os membros da banda, o rompimento de Freddie, a sua decadência e depois a reconciliação e a redenção, culminando na apresentação no Live Aid, show histórico em 1985.

Tecnicamente, é uma obra honesta. O elenco é muito bom, com destaque especial para Rami Malek, cuja interpretação impressiona. A voz, os trejeitos, até a prótese dentária convence. Musicalmente é um filme excelente, trazendo muitos dos vários sucessos do Queen, durante os quais é impossível não se arrepiar ou se emocionar. A obra peca em alguns detalhes que, para quem é fã da banda, pode incomodar um pouco: por exemplo, a apresentação no Rock in Rio é descrita como se tivesse ocorrido em 1977, enquanto na verdade ela foi realizada em 1985. De qualquer forma, é uma cena linda, na qual Freddie, mostrando a gravação do show para Mary, diz que foi o maior público pagante da história, e que, ele não sabia se as pessoas estavam entendendo o que ele cantava, até que o público começou a cantar, sozinho, “love of my life”. Esse, que até hoje, é um dos momentos mais épicos do festival.

“Bohemian Rapsody”, mesmo com essas dificuldades, é um excelente filme. Emocionante, envolvente, interessante. Não é esquecível, não conta uma história comum, até porque o Queen sempre foi uma banda completamente diferente das demais. É bonito e merece muita atenção. Em tempos de tantos reboots, remakes e afins, é bom ver uma obra que ousa ao tentar contar a história de uma das maiores bandas, e principalmente, das maiores lendas da história do rock.

Nota: 9,0

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