seg. set 28th, 2020

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RESENHA – MARIA MADALENA

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As histórias presentes na Bíblia e o legado de Jesus Cristo já foram contadas inúmeras vezes nas telonas. Temos desde filmes antológicos, como “Os Dez Mandamentos”, até filmes controversos, como “A Última Tentação de Cristo”, de Scorsese, e “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, passando por algumas obras de qualidade duvidosa, como “Últimos Dias no Deserto”, protagonizado por Ewan McGregor.

Mas “Maria Madalena” difere de todos esses citados. Ele nos traz não só a história de Jesus contada pela visão da personagem que dá nome ao filme, mas também mostra a sua própria jornada. Maria de Magdala, desde jovem, era uma mulher diferente em seu tempo, e buscava compreender qual o seu papel no mundo. Não aceitou se casar com Efraim, indo contra todos os costumes e tradições da época. Madalena vivia angustiada, querendo saber qual a sua missão, o que levou sua família a pensar que ela estava “possuída”. Porém, quando ela teve contato com Jesus Cristo, percebeu que a sua vocação era seguir com ele e ajudar ao próximo. Se por um lado, ela sofria preconceito dos próprios apóstolos, como fica evidente em algumas cenas com Pedro (interpretado brilhantemente por Chiwetel Ejlofor, de “Doze Anos de Escravidão” e “Doutor Estranho”), infere-se da história que Maria Madalena foi importante para aproximar as mulheres dos ensinamentos de Cristo.

Ainda sobre as atuações: Rooney Mara deu uma interpretação muito digna à Maria Madalena, às vezes transmitindo seus sentimentos somente com os olhares, demonstrando desde angústia até coragem. Joaquim Phoenix sempre tem atuações excelentes, e dá vida a um Jesus Cristo “doutrinador”, mas cheio de bondade e que sabia que não passaria muito tempo na Terra. Outro personagem de destaque é Judas, vivido por Tahar Rahim, que tem seu arco desenvolvido, nos apresentando um homem que era apaixonado pela sua família que morreu e que sua única motivação para seguir Jesus era poder reencontrar sua esposa e filha no Reino.

As cenas foram rodadas em sua maioria a céu aberto, com paisagens muito bonitas, e as cores utilizadas convencem de que se trata de uma história passada há dois mil anos. O filme tem aquele ritmo lento e em alguns momentos é contemplativo, como costumam ser as obras de época e de cunho religioso. Ele tem alguns méritos, como trazer esta versão de Maria Madalena como a única mulher apóstola de Jesus Cristo. Porém, ele mostra de forma apressada algumas das principais passagens da Bíblia, como a Santa Ceia, a crucificação e a ressurreição, e também não se aprofunda em temas polêmicos, como o suposto relacionamento amoroso entre Madalena e Jesus. Sua abordagem é adequada para tempos atuais, em que as mulheres lutam para serem reconhecidas e tratadas com igualdade em relação aos homens, mas provavelmente gerará certa polêmica entre os cristãos mais ortodoxos.

Nota: 7,5

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