sáb. jun 25th, 2022

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RESENHA – MEU EX É UM ESPIÃO

Cada vez mais vemos mulheres invadindo filmes de gêneros antes dominados por homens. Em filmes...

Cada vez mais vemos mulheres invadindo filmes de gêneros antes dominados por homens. Em filmes de ação, podemos citar recentemente Atômica, Operação Red Sparrow e Tomb Raider. Já no gênero comédia, atrizes como Melissa McCarthy, Mila Kunis e Kate McKinnon têm nos feito dar boas risadas no cinema. As duas últimas protagonizam “Meu Ex é um Espião”, uma história recheada de cenas de ação e momentos divertidos, mas que, em uma segunda camada, traz um tema muito discutido ultimamente: a cumplicidade entre mulheres. Aquilo que entre homens é chamado normalmente de “bromance”, em relação às mulheres, é denominado sororidade. Sororidade vem de “soror”, que em latim significa irmã. Essa expressão tem sido utilizada para conceituar o sentimento de empatia e proteção entre as mulheres, em um mundo no qual cada vez mais se busca o respeito e a igualdade. Fechados esses parênteses, voltemos à trama.

Audrey é uma moça de 30 anos (sim, aos 30 ainda podemos chamar de moça) com uma vidinha medíocre e sem emoções. Tem um emprego como caixa em uma espécie de supermercado e poucas expectativas de mudanças. Sua melhor amiga é Morgan, aquela pessoa ansiosa, acelerada, expansiva, em contraste com a personalidade tranquila e serena de Audrey. Ela tinha um namorado, que terminou com ela por mensagem, e é por causa dele que ela vai ser colocada no meio de uma trama de ação e espionagem, envolvendo a CIA e uma organização criminosa. As duas, que nunca tinham ido para muito longe, vão parar na Europa, e participam de vários tiroteios, perseguições de carro e operações. Elas não sabem em quem podem confiar, mas tem uma a outra. E isso basta.

Tecnicamente, é um filme bem honesto. São muitas as cenas de ação, e essas são bem convincentes. Mas o que impressiona mesmo é a  química entre Mila Kunis e Kate McKinnon. A empatia surge automaticamente, a gente torce por elas desde o início, e é impossível não se identificar com essa relação delas. E esse é um dos grandes méritos do filme: ele tem um quê feminista, defende a sororidade, mas não cai no discurso panfletário, ativista, exagerado. A trama constrói a amizade e confiança entre as protagonistas de uma forma muito natural. Mérito de Susanna Fogel, roteirista e diretora da obra.

“Meu ex é um espião”, no geral, é uma comédia bem eficiente. Não tem um texto vazio, o humor não é refinado e traz alguns clichês, mas nada que incomode. É leve, divertida e envolvente, não se arrasta, não é cansativa, tampouco fica trazendo grandes problemas do cotidiano para a telona. Afinal de contas, frequentamos o cinema não só para ver grandes discussões existenciais e filosóficas, às vezes queremos apenas nos divertir. E essa diversão “Meu ex é um espião” nos entrega com louvor.

Nota: 8,5

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