qui. maio 26th, 2022

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RESENHA – SOMENTE O MAR SABE (com spoilers)

Para começar, aviso que esta resenha terá muitos spoilers, pois irei abordar alguns pontos que...

Para começar, aviso que esta resenha terá muitos spoilers, pois irei abordar alguns pontos que me deixaram bem incomodada. “Somente o mar sabe”, cujo título original é “The Mercy”, conta a história real de Donald Crowhurst, vivido por Colin Firth, um velejador amador e pai de três filhos que inventa equipamentos náuticos, e com isso tenta sustentar a sua família. Donald é casado com Claire, interpretada por Rachel Weisz, sua fiel companheira.

Em 1968, foi criada a Sunday Times Golden Globe Race, uma espécie de regata que premiaria o navegador que, sozinho, desse a volta ao mundo de sem fazer nenhuma parada. Donald desenha um barco para competir, corre atrás de patrocinadores e contrai dívidas enormes para construir um trimarã. Mas desde o início fica evidente que as coisas não darão certo. Problemas na construção da embarcação, atrasos, entre outros, acabam fazendo com que Donald inicie a circum-navegação às pressas, com o barco inacabado. Ele fica para trás e, em dado momento, começa a passar informações falsas no rádio, como se estivesse muito a frente de onde realmente estava.

E foi neste momento que o protagonista me perdeu. Quando ele decide trapacear e mentir onde estava na corrida, eu realmente deixei de torcer por ele. É possível sentir empatia pelos loucos, pelos sonhadores, mas não pelos mentirosos. Normalmente gosto dos filmes com o Colin Firth, como “O Discurso do Rei”, que merecidamente lhe rendeu um Oscar, e os filmes da franquia “Kingsman”, mas fica difícil gostar de uma história quando o protagonista não te arrebata, e foi isso que aconteceu em “Somente o mar sabe”.

O final do filme não é feliz, e a esposa de Donald culpa a imprensa pelo acontecido, pois desde que ele se inscreveu na competição, havia uma grande cobertura pelos veículos de comunicação locais, além da torcida da comunidade. E eu saí da sessão me perguntando: qual a responsabilidade da imprensa pela ideia insana de seu marido? Por que tanta dificuldade em assumir que a ideia dele era absurda desde o início, e era sabido que era praticamente impossível de dar certo? A velha mania de se culpar os outros por seus próprio erros. Essas foram as perguntas que o filme me deixou, além da situação desconfortável de não “comprar” a motivação de Donald, e não torcer por ele durante a sua jornada. Triste.

Nota: 6,0

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