sáb. set 26th, 2020

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RESENHA – TOMB RAIDER: A ORIGEM

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Os reboots não são novidade no mercado cinematográfico, e se constituem em uma perigosa tentativa de se reiniciar uma franquia que começou mal, ou que já perdeu o fôlego. No caso de “Tomb Raider”, que se baseia em uma game, torna-se ainda mais difícil, pois assim como acontece com os filmes de super-heróis provenientes dos quadrinhos, sempre há a comparação com a história original. Como conheço o jogo apenas superficialmente, vou me ater ao que vi no cinema, e fazer algumas comparações com os filmes anteriores, protagonizados por Angelina Jolie.

Lara Croft, interpretada por Alicia Vikander (que ganhou o Oscar por “Garota Dinamarquesa”), é uma menina que vive sozinha, luta boxe e trabalha como entregadora para pagar as contas. A mãe faleceu há tempos e o pai sumiu há alguns anos, e Lara se recusa a assinar os papeis reconhecendo a morte do pai, que sumiu durante uma expedição arqueológica, o que lhe daria direito a assumir todo o conglomerado de empresas da família. No momento em que Alicia decide assinar os documentos, lhe é entregue um quebra-cabeça japonês, como estava acostumada a montar/desvendar com seu pai, e a partir daí ela viaja para a Ilha de Yamatai, local de origem da lenda de Himiko. Nesse trajeto, Lara conhece Lu Ren, cujo pai era amigo do pai dela, e que supostamente também foi morto, então Lu decide acompanha-la para desvendar o mistério. A partir daqui a história se transforma, mesclando ação, aventura e mistério, e achei a trama nada espetacular, mas bem honesta.

O filme tem alguns méritos. Gosto muito de Alicia, acho ela uma Lara Croft melhor que Angelina, é mais atriz e não força o sotaque britânico. Por eu ser mulher, talvez o fato de não a caracterizarem como uma personagem sensualizada me agradou, assim como por não haver um romance na história (em dado momento, temi que ela e o Lu formassem um casal). Não era necessário. Pelas leituras que fiz, a Lara de Alicia é inspirada na versão mais recente do jogo, o que entendo importante para o sucesso da franquia, pois esse tipo de filme tende a ficar datado. Comparando com adaptações recentes de games para o cinema, “Tomb Raider: a Origem” é muito mais digno que “Assassin’s Creed”, por exemplo, que foi protagonizado pelo marido de Alicia Vikander, Michael Fassbender.

Entretanto, a película peca em alguns aspectos e repete os mesmos erros de outras adaptações. Faltou aquela sensação de estar na vendo as coisas pelos olhos de Lara, principalmente nas cenas de ação, que é uma técnica de filmagem esperada para uma obra deste gênero, reproduzindo o gameplay. Além disso, essas mesmas cenas de ação foram filmadas com uma câmera um pouco trêmula, às vezes desfocada, o que me incomodou um pouco. De resto, considero que esse reboot da franquia foi honesto, e acredito que, se não flopar, teremos a sequência nas telonas, pois o final deixou um gancho para isso.

N0ta: 8,5

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